Priapismo causas perigosas e quando buscar ajuda urológica urgente

· 6 min read
Priapismo causas perigosas e quando buscar ajuda urológica urgente

Priapismo é uma condição urológica caracterizada por uma ereção persistente, geralmente dolorosa, que dura mais de quatro horas e ocorre independentemente do estímulo sexual. Embora possa ocorrer em qualquer faixa etária, é mais comum em adultos jovens e homens com certas condições clínicas. Essa situação demanda avaliação e intervenção médica urgentes para prevenir consequências severas como a disfunção erétil permanente, que impacta diretamente a qualidade de vida dos pacientes. Compreender a fisiopatologia, os tipos, o diagnóstico e as opções terapêuticas do priapismo é fundamental para oferecer um manejo eficaz e direcionado.

O priapismo está relacionado à fisiologia do aparelho urinário masculino, especialmente envolvendo o pênis e sua vascularização. A ereção ocorre pela dilatação dos vasos cavernosos, que enchem de sangue, e o retorno venoso deve ser regulado para que o órgão retorne ao estado flácido após a excitação sexual. Quando há um desequilíbrio entre a entrada e saída do sangue, instala-se o priapismo. Essa condição é um aspecto crítico dentro da urologia, frequentemente discutido nas referências da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), da American Urological Association (AUA), da European Association of Urology (EAU) e em protocolos vinculados ao Conselho Federal de Medicina (CFM).

Fisiopatologia do Priapismo: Compreendendo o Mecanismo

O entendimento da fisiopatologia do priapismo é essencial para diferenciar suas formas e orientar o tratamento adequado, reduzindo risco de lesão tecidual isquêmica no pênis.

Tipos de Priapismo

Existem dois principais tipos de priapismo: o priapismo isquêmico (ou de baixo fluxo) e o priapismo não isquêmico (ou de alto fluxo). O tipo isquêmico é a forma mais comum, representando uma emergência médica. Nesse caso, o sangue fica aprisionado nos corpos cavernosos, levando a hipóxia, acidose tecidual e dor intensa. Já o priapismo não isquêmico ocorre geralmente por trauma que causa ruptura arterial, mantendo o sangue arterial em fluxo não regulado, o que raramente é doloroso.

Priapismo Isquêmico

Essa forma envolve o mecanismo obstrutivo ao retorno venoso do sangue, criando uma estase que provoca dor e disfunção progressiva. Casos prolongados podem causar fibrose dos tecidos eréteis, resultando em disfunção erétil irreversível, um problema que afeta não apenas a função sexual, mas também a autoestima e saúde mental dos pacientes.

Priapismo Não Isquêmico

É geralmente associado a traumatismos perineais que originam fístulas arteriovenosas, aumentando o fluxo sanguíneo ao pênis. Apesar da ereção prolongada, a ausência de dor e isquemia diminui a gravidade imediata, permitindo condutas conservadoras ou intervencionais após diagnóstico cuidadoso.

Priapismo de Repetição (Pripapismo Tardio)

Também conhecido como priapismo recorrente, ocorre tipicamente em pacientes  com hematopatias como anemia falciforme. Caracteriza-se por ereções prolongadas episódicas que podem preceder crises mais severas, exigindo manejo profilático.

Fatores de Risco e Condições Associadas

Antes de abordar as técnicas diagnósticas, é vital reconhecer fatores predisponentes para priapismo, que ajudam a personalizar a investigação clínica e o tratamento.

Doenças Hematológicas

Pacientes com anemia falciforme, leucemias e outras hematopatias apresentam maior incidência de priapismo devido à obstrução microvascular nos corpos cavernosos. Programas do INCA apontam a relevância da monitorização desses pacientes para prevenção de complicações.

Medicamentos e Substâncias Químicas

Fármacos usados no tratamento da disfunção erétil como inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (ex: sildenafil), psicotrópicos, antipsicóticos e vasodilatadores podem induzir priapismo ao alterar o equilíbrio vascular. Substâncias recreativas como cocaína e álcool também estão associadas. É imperativo questionar o paciente sobre uso dessas substâncias durante a anamnese.

Problemas Urológicos e Cirúrgicos

Lesões perineais e traumatismos pélvicos, procedimentos como vasectomia e cirurgias para hiperplasia benigna da próstata podem levar a lesões arteriais, provocando priapismo. Doenças do sistema nervoso autônomo que regulam a ereção também merecem avaliação.

Outras Causas

Infecções do trato urinário, neuropatias, doenças metabólicas e até tumores urológicos inflamatórios ou malignos, como o câncer urológico, podem favorecer o desenvolvimento desta condição.

Diagnóstico Clínico e Complementar

Detectar e classificar o priapismo com rapidez é decisivo para que o tratamento seja direcionado adequadamente, evitando sequelas irreversíveis.

Anamnese e Exame Físico

A avaliação inicial envolve detalhamento do início, duração da ereção, presença ou ausência de dor e sintomas sistêmicos. O exame detalhado do pênis, perineo, genitais externos e exame neurológico permitem identificar sinais sugestivos de trauma, inflamação ou alterações vasculares.

Exames Laboratoriais

Hemograma completo, testes de função hepática e renal são necessários para investigar causas secundárias. Em casos suspeitos, exames específicos para doenças hematológicas e toxicológicos também são indicados.

Gasometria Cavernosa

Considerado padrão-ouro para diferenciar priapismo isquêmico do não isquêmico, este exame avalia a pressão parcial de oxigênio, dióxido de carbono e o pH do sangue cavernoso. Valores baixos de oxigênio (<30 mmhg), ph ácido (<7,25) e alta concentração de co2 (>60 mmHg) indicam priapismo isquêmico.

Ultrassonografia Doppler Peniana

Avaliação não invasiva que permite identificar fluxo arterial e venoso no pênis, caracterizando o fluxo sanguíneo e localizando áreas de fístulas ou estase.

Outros Exames de Imagem

Embora menos comuns, angiografia e ressonância magnética podem ser úteis em casos complexos ou para planejamento cirúrgico, especialmente em priapismo não isquêmico.

Tratamento e Manejo Clínico do Priapismo

A abordagem terapêutica do priapismo visa restaurar o fluxo sanguíneo normal, aliviar a dor e impedir sequelas irreversíveis. A rapidez na intervenção é fundamental.

Priapismo Isquêmico

O manejo inicial envolve medidas conservadoras como aplicação de gelo e analgesia. Em casos persistentes, aspirar o sangue dos corpos cavernosos com agulha e administrar injeções intracavernosas de simpaticomiméticos como fenilefrina são indicados conforme protocolos da SBU e AUA.

Intervenções Cirúrgicas

Quando o tratamento conservador falha, shunts cirúrgicos entre corpos cavernosos e corpos esponjosos podem ser realizados para drenar o sangue aprisionado. Procedimentos devem ser criteriosos, balanceando o risco de complicações e preservação funcional.

Priapismo Não Isquêmico

O tratamento muitas vezes é conservador, com observação e uso de compressas frias. Em casos refratários, embolização arterial seletiva pode ser realizada, fechando a fístula arterial responsável pelo excesso de fluxo.

Manejo do Priapismo de Repetição

Pacientes com episódios recorrentes podem se beneficiar de terapia profilática com medicamentos como anti-inflamatórios e antiesfáticos utilizados na hematologia. Avaliação multidisciplinar com hematologistas é recomendada.

Acompanhamento Pós-tratamento

Monitorar função erétil, sinais de fibrose peniana e impacto psicológico faz parte do seguimento clínico. Avaliação urodinâmica e uso de questionários de qualidade de vida auxiliam na definição de condutas complementares, como reabilitação sexual ou uso de dispositivos penianos.

Complicações Associadas ao Priapismo e Prevenção

Conhecer e prevenir as complicações do priapismo é tão importante quanto tratá-lo adequadamente, ampliando ganhos na saúde e bem-estar geral do paciente.

Disfunção Erétil e Fibrose Peniana

O prolongamento do priapismo isquêmico causa danos irreversíveis ao tecido cavernoso, levando à formação de tecido fibroso que impede ereções futuras. A prevenção por meio da intervenção rápida e controle das causas é a melhor estratégia para evitar sequelas.

Consequências Psicológicas

Homens com priapismo frequentemente enfrentam ansiedade, depressão e ansiedade de desempenho sexual, devido ao medo de reincidência e perda da função. Acompanhamento psicológico é parte integrante do tratamento multidisciplinar.

Relação com Outras Doenças Urológicas

Caso o paciente apresente condições concomitantes como hiperplasia benigna da próstata, infecção urinária ou histórico de procedimentos urológicos (cistoscopia, biópsia prostática), essas devem ser avaliadas e manejadas para evitar interação negativa com o quadro do priapismo.

Considerações Práticas e Recomendações para Pacientes

É essencial informar o paciente sobre os sinais de alerta, medidas preventivas e quando buscar atendimento urgente.

Reconhecendo Sinais de  Alerta

Ereção dolorosa com duração superior a quatro horas exige busca imediata por avaliação médica, preferencialmente num serviço de urologia. Sintomas associados, como febre ou sinais de trauma, devem ser relatados.

Cuidados em Ambientes Clínicos e Hospitalares

Procedimentos invasivos para tratamento devem ser realizados por equipe especializada para minimizar riscos. Pacientes devem ser orientados sobre o uso correto de medicamentos relacionados à função erétil.

Importância do Acompanhamento e Prevenção

Consultas regulares com urologista são recomendadas para detecção precoce de condições predisponentes, avaliação da saúde prostática (através de exames como PSA e ultrassonografia) e esclarecimento de dúvidas relacionadas a outras condições urológicas comuns, como cálculo renal, fimose, varicocele ou incontinência urinária.

Resumo e Próximos Passos para Cuidado Urológico Eficiente

O priapismo é uma emergência urológica que, se não tratado rapidamente, pode gerar consequências permanentes incluinddo a disfunção erétil. O conhecimento dos sintomas, fatores de risco e condutas diagnósticas promove um manejo acertado, capaz de facilitar a recuperação total e prevenir complicações.

Recomenda-se agendar uma consulta preventiva com especialista em urologia para avaliação detalhada do aparelho urinário, esclarecimento sobre sinais de alerta e educação sobre a função sexual masculina. Na presença de dor peniana persistente ou ereção prolongada, o encaminhamento imediato ao centro de referência é fundamental.

Promova uma rotina de autocuidado, evite uso inadequado de medicamentos para função erétil e mantenha em dia os exames preventivos como PSA, ultrassonografia prostática e avaliações gerais do trato urinário. A abordagem interdisciplinar, integrando hematologistas, psicólogos e  urologista s, oferece o suporte mais completo para pacientes com priapismo e suas condições associadas.